O livro da minha vida
A Leila provocou a gente no Dia do Livro, com um post sobre o livro de nossas vidas. Pensei bastante e resolvi escrever.
É difícil lembrar o meu primeiro livro. Eu sei, estou contrariando aquela frase do Olivetto: o primeiro a gente nunca esquece. Mas eu complemento: a não ser que seu nome seja Fernando Palermo. Pois é, sou esquecido mesmo. Bastante esquecido. Tanto que leio e releio meus livros diversas vezes.
Pra não esquecer, até mesmo faço uma espécie de ficha de leitura, com um belo resumo da história. E, claro, com direito ao epílogo.
Deve ser por isso que tenho a mania de não ler livro emprestado. Quero todos eles comigo, ali na minha estante, ao alcance da minha mão e da minha falta de memória.
Pois é, já estou quase esquecendo o assunto do post. Vamos lá: alguns livros marcaram minha vida. De Érico Veríssimo, com seu infantil “As aventuras do avião vermelho” ao eterno Mario Quintana, com as coletâneas do Caderno H, por exemplo.
Mario Quintana foi importante na minha vida, não com um único livro, mas com cada linha que ele escreveu. Tanto que tenho uma foto dele aqui na minha frente, me olhando enquanto digito este post.
Mais recentemente, lembro de um livro que me marcou bastante. Não pelo brilhantismo do autor, que até era dos bons, o jornalista e biógrafo Fernando Morais. Mas o que me envolveu completamente foi a história, a vida real, sofrida e heróica de Olga Benário Prestes.
Sabe aqueles livros que te deixam triste quando você se aproxima do final? Você sabe que vai chegar na última letra da última palavra da última frase da última página. E aí será o fim.
E aquele livro irá adormecer na prateleira. A não ser que seu dono seja um esquecido como eu, que vive relendo seus velhos livros. Falando nisso, vou lá pegar Olga e voltar pra ela. A saudade dói.
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4 Comments
Muito bom ler esse seu “depoimento” Palermo. Você não imagina como é bom para uma bibliotecária, defensora da formação de leitores desde a infância e da leitura como ação lúdica, ouvir palavras de carinho para o livro.
Tenho que confessar que também sou um pouco esquecida, leio e em pouco tempo preciso relembrar detalhes da leitura. A ficha de leitura é uma ótima idéia!
Abraço!
Céus! Também não lembro o primeiro livro que li, mas lembro bem dos primeiros marcos literários da minha vida, começando pelos contos que faziam parte dos meus livros de português do primário o “Se será Serafina” realmente marco minha vida, lembro como ontem a emoção e a delicadeza que era ler e reler aqueles contos, principalmente o do livro da 4ª serie, admito que não lembro das palavras mas lembro do assunto e o mais importante o sentimento do momento da leitura, agora escrevendo isso decidi procura esses textos na net e descubro que minha querida Serafina é uma personagem clássico, e tem alguns livrinhos com seus contos editados por ai amanha mesmo vou na Catarinense e na Saraiva compra algum exempla para voltar ao meus tempos de 4ª serie. So para não esquecer o outro marco para mim foi o Harry Porter apesar de tudo foi o primeiro filme e a serie de livros que me transformo em um leitor de livro e não apenas mais um brasileiro que lê 4 livros por ano.
Grande Mestre Palermo!
Como sempre fazendo sair facilmente do meu rosto, um sorriso. Teus textos me encantam e tuas aulas deixam saudades, como o teu livro da Olga. A diferença é que o livro ta ao teu alcance né? Já as tuas aulas…bom, passei dessa fase! Parabéns pelo post e eu prefiro a sua frase a de Olivetto!
Com carinho,
Camille Albino
Excelente post, Palermo. Me fez fazer uma viagem no tempo, à procura das minhas primeiras leituras, aquelas que me fizeram pegar gosto pela coisa e querer mais e mais.
Partindo de “O Menino Maluquinho”, do Ziraldo, passando por “A Revolução dos Bichos”, do George Orwell, voando até “A Metamorfose”, de Franz Kafka, e aterrisando com “A Sociedade em Rede” do Manuel Castells.
Um livro vai puxando outro, um escritor vai puxando outro, e a gente vai absorvendo, refletindo, amadurecendo e se transformando.
O livro da minha vida, portanto, é aquele que estou escrevendo, dia após dia, na minha mente. Ao mesmo tempo, o livro da minha vida são todos, cada um contribuindo com a sua parte, para moldar cada pedacinho de quem sou hoje.
Abraços.