O segundo é meu
Para alguns (né, dona Leila!), o post Copidesque, logo abaixo não trouxe novidade. É sobre um dos piores livros que li nos últimos tempos: O Vendedor de Sonhos: O Chamado, de Augusto Cury (Academia, 296 páginas). Mesmo assim, fui até o final. Como fui até o final de O Alquimista, de Paulo Coelho, e de Pés no Chão e Cabeça nas Estrelas, de Lair Ribeiro. Bem feito para mim. Com o tempo que gastei lendo esses três, dava para ler um Amor nos Tempos do Cólera ou um Tia Júlia e o Escrevinhador (Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa, respectivamente).
Mas, encarem como uma boa ação, de mim para vocês. Alguém precisa ler essas porcarias para escrever aqui no De Cabeceira e dizer que não presta. OK. Anotem aí: Não presta! Explico porque. O livro é mal escrito, tem um conteúdo fraco, repleto de psicologismos e pseudo-ciência. Já ouvi gente dizer que o Cury é um grande psicólogo, que tem bons livros tratando do tema. Mas esse, lamento, é tenebroso. A história começa com um suicida que é resgatado das garras da morte pelo tal “Mestre” citado nos textos. E esse cara sai por São Paulo resgatando as pessoas de suas vidas medíocres. Se pensar direitinho, até dá uma bela história. Mas O Vendedor de Sonhos passa longe disso.
O que mais me incomodou – tá, o psicologismo e a pseudociência envolvida também me incomodam – foi o fato de ser muito mal escrito. Tanto que foi o mote do post anterior. O primeiro trecho do post é o original do autor. O segundo é o mesmo texto copidescado (jornalistês para revisado) em cinco minutos por esse escriba. E olha que eu nem fiquei buscando um trecho que estivesse especialmente mal escrito. Abri numa página e peguei um parágrafo que ficasse inteligível mesmo sem contexto. A escolha de palavras é ruim. Um exemplo é a expressão “colocar seu desejo”. Olha, de onde eu venho, colocar o desejo pode ter outra conotação.
Justiça seja feita, autores de livros de auto-ajuda não têm obrigação de escrever como Ernest Hemingway. E aí eu pergunto: picareta é o autor ou o editor, que não edita direito a obra. Não dá uma copidescada, ajeita o texto. Claro que o estilo e o conteúdo, não têm como resolver. Mas dava pra melhorar bastante o texto com algumas tantas horas gastas reescrevendo. Mas, vai que o autor não deixa que mexam no seu texto. É como um filho. Mas ele podia deixar alguém educar melhor o filho dele, não? De uma forma ou de outra, passe longe.
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5 Comments
Concordo que uma boa revisão no texto ajuda muito (meu TCC que diga).
Ter seu trabalho sabatinado a um crítico de respeito acrescenta bastante.
Não gostei, mas mesmo assim, eu fui até o final.
Próximo!
Gian,
Pela sua descrição da história o livro parace ser muito boa, pena que veio com defeito.. rsrs
Olha, por mais “craque” que a pessoa seja em escrever vale sempre ter a opinião de uma pessoa que está de fora. As vezes escrevemos de uma forma que achamos que as pessoas entenderam, mas não é bem assim que fica.
Eu nem vou me atrever a pegar esse livro para ler, não consegui entender o que o Cury quis dizer em um parágrafo, quem dirá o livro todo!
Eu simplesmente “NÃO CONSEGUI” terminar de ler o livro, parei antes da página 70, era muito sacrifício continuar lendo. Mas se alguém quiser ler, eu empresto e não faço questão que me devolva,
Nunca me interessei pelos livros do Paulo Coelho e Augusto Cury, mas sempre ouvi falar muito mal sobre eles. Talvez por isso minha falta de interesse!
Augusto Cury é o rei dos chavões, da preguiça em rebuscar a escrita, do lugar-comum usado a torto e a direito (aí: fui contaminado só de falar nesse “autor”…). Se diz psicólogo, mas, pelo que escreve, parece ter um pé fincado no espiritismo ou doutrinas afins. Pelo que me conste, são áreas incompatíveis. Por que vende tanto? Bem, todo mundo gosta de uma massgem no ego - isso´ele faz bastante. Assim como todo autor de auto-ajuda. Não importa: Cury é péssimo escritor.